Cila e Caribdes: os Monstros Gêmeos do Estreito
Cila e Caribdes estão entre os monstros mais vívidos e aterrorizantes da mitologia grega, um par combinado de horrores marinhos posicionados em lados opostos de um estreito estreito, forçando qualquer navio que passasse por ali a enfrentar a destruição quase certa de pelo menos um deles. Seus nomes tornaram-se proverbiais: estar "entre Cila e Caribdes" significa estar preso entre duas escolhas igualmente perigosas, expressão que sobrevive em línguas modernas até hoje.
Introdução
Cila e Caribdes estão entre os monstros mais vívidos e aterrorizantes da mitologia grega, um par combinado de horrores marinhos posicionados em lados opostos de um estreito estreito, forçando qualquer navio que passasse por ali a enfrentar a destruição quase certa de pelo menos um deles. Seus nomes tornaram-se proverbiais: estar "entre Cila e Caribdes" significa estar preso entre duas escolhas igualmente perigosas, expressão que sobrevive em línguas modernas até hoje.
Os dois monstros são encontrados de forma mais famosa por Odisseu durante sua longa jornada de volta de Troia, como narrado na Odisseia de Homero. A deusa do mar Circe adverte Odisseu sobre o estreito e o aconselha que rente o lado de Cila, perdendo seis homens mas salvando o navio, é mais sensato do que arriscar o redemoinho que destruiria a todos. É um dos episódios psicologicamente mais angustiantes da poesia épica antiga: um herói forçado a escolher entre uma perda parcial certa e uma aniquilação total potencial.
Origens e Parentesco
As origens de Cila e Caribdes diferem acentuadamente, e as fontes antigas não são totalmente consistentes. Na maioria das tradições, Cila era filha das divindades marinhas Fórcis e Ceto, o mesmo par primordial que gerou as Górgonas, as Greias e a serpente Ládon. Isso a coloca firmemente dentro do conjunto de antigos horrores marinhos que povoavam as regiões mais remotas do mundo mitológico. Numa tradição alternativa, seus pais eram o monstro Tifão e a serpente Equidna, o que faria dela irmã da Hidra de Lerna, de Cérbero e do Leão de Nemeia.
Uma tradição posterior popular, elaborada de forma mais completa pelo poeta romano Ovídio em suas Metamorfoses, deu a Cila uma origem trágica mais semelhante à de Medusa. Nessa versão, Cila era originalmente uma bela ninfa do mar que atraiu o amor do deus marinho Glauco. Glauco, rejeitado por Cila, recorreu à feiticeira Circe em busca de uma poção do amor, mas a própria Circe se apaixonou por Glauco. Enfurecida com a rejeição dele, Circe envenenou a enseada onde Cila se banhava, transformando a bela ninfa, da cintura para baixo, num monstro de várias cabeças.
Caribdes teve uma origem diferente e mais abertamente divina. Dizia-se que era filha de Poseidon (deus do mar) e de Gaia (a terra). Em sua forma original, era uma criatura voraz que roubou o gado de Héracles, e Zeus, furioso com sua ganância, atingiu-a com um raio e a lançou ao mar, onde se tornou o redemoinho eterno, condenada a engolir e expelir água do mar três vezes por dia por toda a eternidade.
Aparência e Habilidades
A descrição de Cila feita por Homero no Livro 12 da Odisseia está entre os retratos de monstros mais detalhados da literatura antiga. Ela vivia numa caverna no alto de um penhasco, com a parte inferior do corpo permanentemente submersa nas águas abaixo. Tinha doze patas, todas pendendo inúteis do meio do corpo, e seis pescoços compridos, cada um encimado por uma cabeça terrível com três fileiras de dentes, juntos, apinhados e cheios de morte negra. Cada cabeça conseguia descer do penhasco para arrebatar um marinheiro do convés de um navio que passava. Ela era, diz Homero, algo que nenhum mortal poderia contemplar com alegria: até os deuses estremeceriam diante de sua visão.
Sua voz, paradoxalmente, era descrita como não mais alta do que o ganido de um filhote recém-nascido, um contraste grotesco que a tornava ainda mais perturbadora. Ela não dava nenhum aviso. Os navios ouviam um som pequeno, quase suave, e então as cabeças atacavam.
Caribdes não tinha forma humanoide na maioria dos relatos, ela simplesmente era o redemoinho. Três vezes por dia, sugava o mar para baixo, para um abismo negro e insondável, expondo o leito escuro do mar; três vezes o vomitava de volta num caldeirão rugindo e fumegante. Qualquer navio apanhado no vórtice durante uma sucção estaria perdido sem deixar vestígios. A única esperança de sobrevivência para os infelizes o bastante para serem arrastados era agarrar-se a algo acima da superfície, como fez Odisseu, mais tarde, agarrando-se aos galhos de uma figueira que pendia sobre o redemoinho, e esperar que o mar fosse expelido de novo.
Mitos Principais
Odisseu e o Estreito: O encontro mitológico definitivo com Cila e Caribdes ocorre no Livro 12 da Odisseia. Avisado por Circe, Odisseu faz o cálculo angustiante de que perder seis homens para Cila é preferível a arriscar o navio inteiro no redemoinho. Ele mantém esse plano em segredo da tripulação, sabendo que, se parassem para se armar ou tentassem lutar, a demora os entregaria a todos a Caribdes. Cila ataca exatamente como previsto, arrebatando seis de seus melhores homens do convés. Odisseu descreve a visão de seus homens gritando seu nome enquanto eram erguidos, braços e pernas se contorcendo, como a coisa mais angustiante que ele já presenciou em todos os seus anos no mar.
No seu retorno pelo estreito, depois de perder o navio e a tripulação para o raio de Zeus como punição por comer o Gado do Sol, Odisseu, sozinho, é arrastado de volta em direção a Caribdes numa jangada improvisada. Ele mal sobrevive ao agarrar a figueira sobre o redemoinho e ficar pendurado ali por horas até que o mar expeliu sua jangada mais uma vez.
Os Argonautas: Jasão e os Argonautas também passaram pelo estreito em seu retorno da Cólquida com o Velocino de Ouro. Na versão deles, as ninfas do mar chamadas Nereidas, guiadas pela deusa Tétis, conduziram com segurança o Argo pela passagem estreita, passando tão perto do penhasco de Cila que um dos remos se partiu. A Argonáutica de Apolônio de Rodes apresenta isso como uma passagem anterior e paralela, algumas tradições sustentavam que os Argonautas, na verdade, precederam Odisseu pelo estreito.
Cila e Minos: Um mito separado e não relacionado envolve uma Cila diferente, a filha do Rei Niso de Mégara, que às vezes é confundida em tradições posteriores com o monstro marinho. Essa Cila traiu o pai em favor do Rei Minos de Creta por amor, foi rejeitada por Minos com repulsa e foi transformada numa ave marinha. As duas Cilas são figuras distintas, mas foram ocasionalmente confundidas por escritores posteriores.
Simbolismo e Significado
O emparelhamento de Cila e Caribdes como uma ameaça dupla é uma das expressões mais poderosas da Antiguidade sobre o dilema impossível. Ao contrário da maioria dos monstros mitológicos, que um herói poderia concebivelmente derrotar, esses dois representam perigos que não podem ser superados, apenas navegados. A resposta correta não é o combate heroico, mas a aceitação estratégica da perda parcial. Odisseu deve escolher perder seis homens em vez de tentar salvar todos e perder tudo. Isso torna o episódio um dos mais ressonantes filosoficamente de toda a épica antiga.
As seis cabeças de Cila têm sido lidas como emblemáticas dos múltiplos perigos do mar, perigos que atacam simultaneamente de várias direções, sem dar tempo de reagir. Caribdes, como redemoinho, evoca a absorção e a aniquilação totais, o terror não de ser atacado, mas de ser simplesmente engolido, dissolvido e apagado. Juntos, representam dois tipos distintos de catástrofe: a predatória e a consumidora.
Em leituras alegóricas e filosóficas posteriores, especialmente no período medieval, o estreito de Cila e Caribdes foi usado como metáfora de dilemas morais e políticos, a dificuldade de seguir um curso virtuoso entre dois vícios, ou a impossibilidade de satisfazer duas obrigações concorrentes ao mesmo tempo. Essa tradição alegórica é a ancestral direta da expressão moderna.
Localização e Geografia
Geógrafos gregos e romanos antigos identificavam o estreito de Cila e Caribdes com o Estreito de Messina, o canal estreito de água que separa a ilha da Sicília da ponta da península italiana. O estreito é genuinamente perigoso para os padrões do Mediterrâneo, suas correntes são complexas e imprevisíveis, geradas pelos diferentes padrões de maré dos mares Tirreno e Jônico que se encontram numa passagem estreita.
O promontório rochoso perto da moderna cidade de Scilla, na Calábria, Itália, foi identificado na Antiguidade como o local da caverna de Cila. Os redemoinhos de Caribdes eram associados ao lado siciliano do estreito, perto da moderna Messina. Embora os redemoinhos no Estreito de Messina sejam fenômenos reais, ainda que nem de longe tão letais quanto Homero descreve, eram impressionantes o suficiente para os marinheiros antigos a ponto de inspirar a lenda.
O fato de o Estreito de Messina ter sido uma importante rota de navegação na Antiguidade, e uma que exigia verdadeira perícia náutica e conhecimento local para ser atravessada com segurança, conferiu à tradição mitológica uma poderosa especificidade geográfica. Os marinheiros que conheciam o estreito teriam reconhecido a descrição de Homero de imediato.
Na Arte e na Literatura
Cila aparecia com frequência na arte antiga, em particular na cerâmica pintada dos séculos V e IV a.C. Costuma ser retratada como uma mulher da cintura para cima, com cauda de peixe abaixo, e cabeças de cão ou de lobo surgindo de seus quadris, uma forma híbrida que combinava a beleza feminina com a ferocidade animal. Vários vasos de figuras vermelhas do período clássico mostram o navio de Odisseu passando sob seu penhasco enquanto ela ataca os marinheiros. Um famoso mosaico de Dougga (a antiga Thugga, na Tunísia, c. século III d.C.) a mostra em sua característica forma híbrida.
Na literatura, ambos os monstros aparecem de forma mais memorável na Odisseia de Homero (c. 800 a.C.) e novamente na Argonáutica de Apolônio de Rodes (século III a.C.). As Metamorfoses de Ovídio deram a Cila sua história romântica de fundo envolvendo Glauco e Circe. A Eneida de Virgílio menciona o estreito como um perigo que Eneias atravessa em sua jornada à Itália.
A expressão "entre Cila e Caribdes" entrou na literatura latina como uma expressão fixa e passou para o inglês e outras línguas europeias, onde persiste até hoje, muitas vezes simplificada para "entre a cruz e a espada". Os monstros aparecem no Inferno de Dante, em bestiários medievais e em incontáveis obras modernas de fantasia. No cinema e na televisão, foram retratados em adaptações da Odisseia, incluindo a minissérie televisiva de 1997 estrelada por Armand Assante.
Seção de Perguntas Frequentes
Perguntas Frequentes
O que significa 'entre Cila e Caribdes'?
Cila e Caribdes já foram humanas?
Como Odisseu sobreviveu a Cila e Caribdes?
Onde ficavam Cila e Caribdes?
Os Argonautas também encontraram Cila e Caribdes?
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