Hermes: Mensageiro dos Deuses Gregos
Hermes é um dos mais versáteis e fascinantes dos doze deuses olímpicos. Como o mensageiro divino, ele era o mais veloz de todos os deuses, voando entre os reinos dos vivos e dos mortos em suas sandálias aladas ( talaria ) para levar a vontade de Zeus a deuses e mortais por igual.
Introdução
Hermes é um dos mais versáteis e fascinantes dos doze deuses olímpicos. Como o mensageiro divino, ele era o mais veloz de todos os deuses, voando entre os reinos dos vivos e dos mortos em suas sandálias aladas (talaria) para levar a vontade de Zeus a deuses e mortais por igual.
Muito mais do que um simples mensageiro, Hermes, o deus grego, era o patrono dos viajantes, comerciantes, ladrões, arautos, atletas e pastores. Era o único olímpico com livre passagem por todos os reinos, Olimpo, Terra e o Submundo, o que o tornava uma figura indispensável no mito e na religião gregos. Sua inteligência fulgurante, sua astúcia brincalhona e sua capacidade de transitar fluidamente entre mundos fizeram dele um dos deuses mais queridos e amplamente cultuados do mundo grego antigo.
Origem e Nascimento
Hermes nasceu de Zeus e da ninfa Plêiade Maia, filha do Titã Atlas. Maia, tímida e reclusa por natureza, vivia em uma caverna profunda no Monte Cileno, na Arcádia, e foi ali que Zeus a visitou em segredo, longe dos olhos atentos de Hera. Ao amanhecer, Maia deu à luz o infante Hermes na caverna do Monte Cileno, um lugar tão central para sua identidade que ele é muitas vezes chamado de o deus cilênio.
Desde suas primeiras horas, Hermes demonstrou o gênio travesso que o definiria. Escapulindo do berço ainda enrolado em faixas, o infante vagou até a Tessália, onde encontrou um rebanho de gado pertencente a seu meio-irmão Apolo. Astutamente, ele conduziu o rebanho de costas para disfarçar o rastro, inventando a lira pelo caminho a partir de um casco de tartaruga e cordas de tripa de boi. Quando confrontado pelo furioso Apolo, o infante Hermes negou tudo, embora por fim tenha trocado a lira com Apolo pelo gado, conquistando a admiração do irmão e um cajado de pastor dourado. Zeus, divertido e impressionado com a ousadia de seu mais novo filho, fez de Hermes seu arauto pessoal.
Papel e Domínio
Hermes ocupava uma posição singularmente ampla entre os olímpicos. Como arauto e mensageiro dos deuses, seu dever primordial era levar proclamações e ordens divinas do Monte Olimpo a mortais e divindades por todo o cosmos. Seu caduceu, o cajado entrelaçado por duas serpentes, era seu distintivo de ofício, marcando-o como um enviado sagrado cuja pessoa era inviolável sob as leis da hospitalidade e da diplomacia.
Como psicopompo (condutor de almas), Hermes guiava os recém-falecidos do mundo dos vivos até a entrada do Submundo, entregando-os a Caronte nas margens do Rio Estige. Esse papel fazia dele um dos raros deuses que podiam entrar no reino de Hades e retornar livremente, um poder liminar que o colocava na fronteira entre vida e morte, mortal e divino, conhecido e desconhecido.
Hermes também governava o comércio e o mercado, assegurando negociações justas, bem como os ladrões e trapaceiros, a linguagem e a eloquência, os viajantes e as estradas, e a prática do atletismo. As hermas, pilares de pedra encimados por sua cabeça e portando um falo ereto, eram colocadas em encruzilhadas e fronteiras por todo o mundo antigo para proteger os viajantes e afastar o mal.
Personalidade e Características
Hermes era constantemente retratado como jovem, ágil e perpetuamente em movimento. Ao contrário da grave autoridade de Zeus ou da intensidade marcial de Ares, Hermes se caracterizava pela perspicácia, pela astúcia, pela adaptabilidade e por um desrespeito brincalhão a fronteiras rígidas. Era o consumado deus trapaceiro, charmoso, esperto e nunca exatamente onde a convenção esperava que estivesse.
Sua capacidade de engano não era vista como uma falha moral, mas como um dom divino. Os gregos reconheciam que o comércio, a negociação e até a oratória exigiam certa relação flexível com a verdade estrita, e Hermes encarnava essa sagacidade necessária. Era o deus que sabia falar para entrar ou sair de qualquer situação, uma qualidade que Zeus achava útil e que os mortais admiravam.
Apesar de sua veia maliciosa, Hermes era fundamentalmente benevolente. Aparece constantemente no mito como auxiliar e protetor de heróis, guiando Perseu, ajudando Odisseu e escoltando as almas dos mortos com gentil cuidado. Era rápido, bondoso e essencialmente de bom coração, o que fazia dele um dos mais acessíveis e humanos de todos os deuses olímpicos.
Mitos Principais
O Roubo do Gado de Apolo: No próprio dia de seu nascimento, o infante Hermes escapuliu do berço e roubou cinquenta cabeças de gado de Apolo, arrastando-as de costas para confundir as pegadas. Inventou a lira a partir de um casco de tartaruga e por fim a usou para encantar e apaziguar o furioso Apolo. Zeus presidiu a disputa e, encantado com a audácia do filho, fez de Hermes seu arauto. Esse mito estabelece Hermes como um trapaceiro divino e o patrono dos ladrões desde o momento de seu nascimento.
Argos e Io: Zeus transformou sua amante Io em uma novilha branca para escondê-la do ciúme de Hera, mas Hera pôs o gigante de cem olhos Argos Panoptes para guardá-la. Zeus despachou Hermes para libertar Io. Disfarçando-se de pastor, Hermes adormeceu todos os cem olhos de Argos com sua música e suas histórias antes de matar o gigante com a espada, ganhando o epíteto Argifonte, que significa "matador de Argos."
Hermes e Perséfone: Quando Perséfone foi raptada por Hades e a dor de Deméter fez todas as colheitas murcharem, Zeus enviou Hermes ao Submundo para negociar o retorno dela. Como psicopompo, Hermes era singularmente apto a cruzar aquela fronteira, e ele trouxe Perséfone de volta com sucesso ao mundo da superfície, restaurando as estações.
O Resgate de Ares: Quando os gigantes gêmeos Oto e Efialtes aprisionaram Ares em uma jarra de bronze por treze meses, foi Hermes quem descobriu o deus da guerra cativo e o libertou, demonstrando sua incomparável capacidade de navegar situações extraordinárias.
Odisseu e Circe: Quando a feiticeira Circe transformou os homens de Odisseu em porcos, Hermes apareceu ao herói como um jovem e lhe deu a erva mágica moly para resistir aos seus encantamentos, permitindo-lhe quebrar o feitiço e resgatar a tripulação.
Família e Relacionamentos
Hermes era filho de Zeus e Maia, o que fazia dele um deus olímpico pleno pelo pai e neto do Titã Atlas pela mãe. Diferentemente de muitos dos olímpicos, Hermes não tinha consorte divina permanente, mas gerou numerosos filhos notáveis em diversas ligações com deusas, ninfas e mulheres mortais.
Seu filho mais célebre foi Pã, o deus rústico das matas, dos pastores e dos rebanhos, nascido de uma união com a ninfa Dríope (ou, em outros relatos, filha de Dríops). Pã herdou a energia terrena do pai, mas a canalizou para a natureza indomada em vez da diplomacia divina. Hermafrodito nasceu da união de Hermes com Afrodite, um belo jovem que se fundiu com a ninfa Salmácis para tornar-se um ser de ambos os sexos, emprestando seu nome ao termo hermafrodita.
Autólico, filho de Hermes com a mortal Quíone, herdou o dom paterno para a trapaça e o furto e tornou-se o avô materno do herói Odisseu, o que talvez explique por que Odisseu tantas vezes se beneficiou do favor de Hermes. Hermes também gerou Abdero, o amado companheiro de Héracles, e Angélia, uma deusa menor das mensagens.
Entre seus meio-irmãos no Olimpo, Hermes era particularmente próximo de Apolo, um vínculo selado pela famosa troca da lira na infância dos dois, e servia de forma constante como agente leal e eficiente de seu pai Zeus.
Culto e Adoração
Hermes era cultuado em todo o mundo grego, das cidades-estado mais cosmopolitas às comunidades rurais isoladas. Seu culto era especialmente forte na Arcádia, a acidentada região montanhosa do Peloponeso, que a tradição antiga considerava seu local de nascimento no Monte Cileno. Os arcádios se consideravam seus adoradores mais antigos e lhe atribuíam particular proximidade com seu modo de vida pastoril.
Os monumentos mais distintivos de seu culto eram as hermas, pilares retangulares de pedra com uma cabeça esculpida de Hermes no topo e um falo ereto na frente. Eram colocados em encruzilhadas, portões de cidade, soleiras e fronteiras por todo o mundo grego, servindo de marcos apotropaicos que protegiam viajantes e comerciantes. Em 415 a.C., a misteriosa mutilação das hermas atenienses na véspera da Expedição à Sicília causou um grande escândalo político e religioso que contribuiu para a queda de Alcibíades.
Hermes recebia sacrifícios de cordeiros e cabritos, e bolos de mel eram uma oferenda predileta. O mês de Hecatombéon (pleno verão) incluía festivais em sua honra. Os atletas o invocavam antes das competições, os comerciantes lhe oravam por um comércio lucrativo, e os arautos faziam seus juramentos em seu nome. Seu equivalente romano, Mercúrio, tornou-se a divindade patrona do comércio em vasta escala imperial, com o festival romano da Mercuralia celebrado pelos comerciantes em 15 de maio de cada ano.
Símbolos e Atributos
O caduceu (kerykeion) é o atributo mais emblemático de Hermes, um cajado de arauto entrelaçado por duas serpentes, muitas vezes encimado por asas. Na Antiguidade, ele significava seu papel de enviado divino cuja pessoa era protegida pela lei sagrada; hoje é amplamente (ainda que muitas vezes erroneamente) usado como símbolo da medicina. Diz-se que o caduceu foi dado a Hermes por Apolo em troca da lira.
Suas sandálias aladas (talaria) e seu elmo alado (petasos) simbolizam sua velocidade incomparável e sua liberdade de movimento por todos os reinos. Essas asas lhe permitiam voar tão rápido quanto o próprio pensamento, levando mensagens entre o céu, a terra e o submundo sem demora.
A tartaruga ocupa um lugar especial entre seus animais sagrados, pois ele fabricou a primeira lira a partir de um casco de tartaruga, uma ligação entre a criatura lenta e a divina rapidez da música e da linguagem. O galo, como arauto da aurora, lhe era sagrado como um anunciador semelhante a ele. O carneiro estava associado a seu papel de protetor de rebanhos e manadas, e imagens de Hermes Crióforo (portador do carneiro) o representavam carregando um carneiro nos ombros, uma imagem que mais tarde influenciaria as representações cristãs primitivas do Bom Pastor.
Perguntas Frequentes
Quem é Hermes na mitologia grega?
Qual é o nome romano de Hermes?
Quais são os símbolos de Hermes?
Do que Hermes é o deus?
Qual é a diferença entre o caduceu e o Bastão de Asclépio?
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